A segunda temporada de Fargo pode até não ter uma trama que nos deixe 100% concentrados como na temporada anterior (quando Martin Freeman e Billy Bob Thorton arrasaram com as melhores atuações do ano – incluindo cinema), mas certamente possui uma equipe criativa eficiente para nos deixar interessados com o desenvolvimento da narrativa. Tudo acontece sem pressa, aos poucos, como uma boa história deve ser.
Acho que existe algo com bichos nessa série. A introdução do episódio anterior mostrava um porco ensanguentado com cortes para o carro de Milligan. Desta vez temos “Ohanzee” (Zahn McClarnon) acariciando um fucking coelho branco (WTF) e relembrando a sua infância assistindo a um show de mágica. Ok. Ele quebra o pescoço do coelhinho depois, mas ainda assim é esquisito.
Mommy Gerhardt e seus filhos se reúnem com outros três grandes cabeças do império criminoso para combater a máfia de Kansas City. Novamente, assim como no episódio anterior, Jean Smart não precisa de muito para nos deixar arrepiados com sua atuação segura na pele da nova “rainha” do crime e sendo obrigada a agir com sensatez.
Skip, o trambiqueiro com quem Rye combinava seus golpes, ganha uma atenção especial ao ser o responsável por estabelecer uma primeira conexão por acaso com todos os grupos de personagens. Ele chama a atenção de Lou com seu comportamento esquisito na delegacia; Ele tem um encontro pesado com Milligan; e por último, é finalmente capturado pela família Gerhardt e sofre com seu destino cruel. E justo, porque ele é um daqueles personagens criados para sofrer mesmo. Já vai tarde.
A cada episódio temos um momento individual mágico. Desta vez, Kirsten Dunst que rouba a cena ao ironizar o próprio comportamento de ter atropelado e fugido com o corpo da vítima no capô do carro. Durante a série inteira, Betsy é uma autêntica esposa desmiolada e infeliz com a sua vidinha, vive praticamente em outra dimensão. Dunst consegue mostrar essa outra faceta da personagem com imensa facilidade e nos faz imaginar se essa mulher não seria uma das mais pessoas perigosas da série. Gente que se faz de sonsa é um perigo.