Alex Gonçalves e os filmes assistidos em abril

O Alex Gonçalves, do Cine Resenhas, está aqui para compartilhar com a gente todos os filmes assistidos em abril. Saiba agora quais são as recomendações do Alex e não deixe de acompanhá-lo no Twitter:

Alex Goncalves e os filmes assistidos em abril - I Smile Back

136 – I Smile Back: após um papel dramático em Entre o Amor e a Paixão, Sarah Silverman recebe uma nova oportunidade para ir além de um campo cômico por vezes restritivo. Infelizmente, Adam Salky não é Sarah Polley, contentando-se em fazer um filme que só joga o peso nas costas de Silverman, sem ofertar qualquer retribuir.

137 – Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância): rever essa obra oscarizada pela primeira vez no Auditório do Ibirapuera e com trilha sonora executada ao vivo por Antonio Sanchez é uma experiência mágica que vem apenas a somar a uma comédia de traços surrealistas por si só especial.

138 – As Incríveis Artimanhas da Nuvem Cigana: uma pena que um projeto com tantas dificuldades para ser finalizado e finalmente exibido tenha resultado em uma coleta convencional de depoimentos que não nos aproximam com propriedade de um coletivo notório por sua subversão.

139 – O Escaravelho do Diabo: a crítica especializada foi unânime na afirmação de que a adaptação do romance mais popular de Lúcia Machado de Almeida por Carlo Milani era indecisa quanto ao seu público-alvo. Sendo o livro que me seduziu para o universo da literatura, O Escaravelho do Diabo acertou direto no meu coração.

140 – Faraós do Egito Moderno: Nassar: primeira parte de uma trilogia, soa como um teledocumentário. Pertinente somente aos interessados em rever o que já se conhece sobre Gamal Abdel Nasser.

141 – Um Caso de Família: o mistério que cerca a “personagem” central desse documentário não provoca os estrondos esperados quando revelado. Ainda assim, Tom Fassaert se dispôs a fazer um registro corajoso de exposição da privacidade de sua própria família, sem a parcialidade questionável que costuma cercar obras que adotam uma perspectiva mais pessoal.

142 – Os Campeões de Hitler: o efeito desejado por essa obra documental francesa definitivamente não é o do riso, mas é inevitável não gargalhar diante dos fracassos sucessivos de um dos ditadores mais desprezíveis da história da humanidade em sua crença na existência de uma raça superior.

143 – Rua Cloverfield, 10: não somente uma lição de como se apropriar do melhor modo de uma “marca” desgastada assim que concebida, como também um convite para ficar na ponta da poltrona por quase duas horas.

144 – Conspiração e Poder: o sucesso de Spotlight – Segredos Revelados provavelmente ofuscou essa estreia de James Vanderbilt na direção. Uma pena, pois há aqui dilemas éticos muito pertinentes para ser debatidos em tempos nebulosos para o jornalismo.

145 – Em Nome da Lei: Sergio Rezende sempre foi interessado em dramatizações de cenários políticos do passado ou presente. Por isso mesmo, é muito triste que o seu primeiro longa desde “Salve Geral” já nasça tão antiquado quanto tinha tudo para ser relevante para a nossa atualidade.

146 – Nise: O Coração da Loucura: Roberto Berliner se desfaz de qualquer pressão para entregar uma cinebiografia quadrada de Nise da Silveira, preferindo sabiamente um recorte na qual a arte vem como a possibilidade para a recuperação de identidades perdidas.

147 – Visões do Passado: raramente há credibilidade em filmes protagonizados por psicólogos mais perdidos que as mentes insanas que analisam e essa nova tolice protagonizada pelo bom Adrien Brody ainda tenta se passar por esperta com uma roupagem sobrenatural estapafúrdia.

148 – Kate Interpreta Christine: mais de 40 anos se passaram e o nome de Christine Chubbuck prossegue causando fascínio pela tragédia que protagonizou ao vivo. Seria a nossa curiosidade pela jornalista um combustível inadequado? Trata-se de uma das inúmeras questões levantadas por esse documentário provocador e exemplar.

149 – O Grande Lebowski: todo bom ator ambiciona caçar em sua versatilidade um personagem que possa eternizá-lo na história do cinema, algo que Jeff Bridges realiza como The Dude nessa comédia tresloucada dos Coen.

150 – Arizona Nunca Mais: uma particularidade do início da carreira dos irmãos Coen estava em um senso de ritmo ágil imprescindível em narrativas com uma duração enxuta, justamente a principal virtude aqui.

151 – A Roda da Fortuna: a cada apreciação, fica mais difícil de acreditar que essa investida dos Coen em um argumento agridoce tenha sido um fracasso retumbante em seu lançamento. Que se faça justiça com a passagem do tempo.

152 – Sobrenatural: A Origem: Leigh Whannell não foi reconhecido como merecia pelos sucessos de Jogos Mortais e Sobrenatural, produções nas quais ele exerceu forte influência no argumento. Pena que sua estreia na direção se dê por um caminho seguro e, por isso mesmo, sem maiores atrativos.

153 – Tangerine: não é fácil acompanhar a histeria do primeiro ato, marcado por muita informação visual (é o primeiro longa gravado integralmente com iPhone) e verbal. Um problema rapidamente resolvido quando o carinho de Sean Baker por seus personagens marginalizados começa a vir à tona.

The Invitation trailer 2

154 – The Invitation: Karyn Kusama é uma boa diretora diminuída em um meio que carece de bons projetos para mulheres. Como é bom vê-la finalmente na liderança de algo como The Invitation, um drama psicológico bem concatenado com uma ameaça que alça voos altos no clímax.

155 – Hush: A Morte Ouve: com poucos recursos, Mike Flanagan vai além dos preceitos do home invasion, convertendo um mero psicopata na materialização do trauma de uma protagonista que tem como melhor arma um raciocínio para o desenho de possibilidades.

156 – Com 007, Viva e Deixe Morrer: não há como prestar melhor tributo a Guy Hamilton do que revendo a terceira das quatro aventuras de James Bond que conduziu. Na segunda visita, o humor fino de Viva e Deixe Morrer é ainda mais evidente.

157 – 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro: considerado por muitos o pior filme de James Bond, O Homem da Pistola de Ouro é sim campy. Entretanto, oferece também todo aquele humor e malícia que nos fizeram ficar apaixonados por Roger Moore em sua encarnação como o espião mais famoso do cinema.

158 – As Aventuras de Pee-wee: ok, pode ser meio complicado para os adultos engolirem a ingenuidade do notório personagem de Paul Reubens, mas Tim Burton já entendia do riscado desde o início de sua carreira, entregando uma diversão indiscutivelmente graciosa e terna para todas as idades.

159 – O Caçador e a Rainha do Gelo: um prequel/sequência que tinha tudo para ser uma das maiores bombas do ano, mas que traz um resultado totalmente oposto por mérito do comprometimento de seu elenco com a fantasia e o equilíbrio entre graça e densidade.

160 – Prova de Coragem: indesculpável que Prova de Coragem seja o que Roberto Gervitz pôde oferecer após um hiato de 10 anos. Mais indesculpável ainda é o fato de sua nova realização suceder a obra-prima Jogo Subterrâneo.

161 – Capitão América: Guerra Civil: depois de estabelecer cada um de seus personagens individualmente e de preparar o aguardado encontro entre eles, a Marvel finalmente amadurece o seu universo, problematizando pela primeira vez a figura do herói.

162 – Ninguém Quer a Noite: dona de uma filmografia de autor, Isabel Coixet segue subestimada. A exploradora Josephine Peary não é usada como uma aventureira destemida ou uma romântica incorrigível, e sim como um modelo do que é a mulher em seu sentido mais primitivo. Belo.

163 – O Cheiro da Gente: passam-se as gerações, muda-se o suporte, troca-se a língua e Larry Clark segue parado no tempo com o seu arsenal que reduz a juventude a algumas almas sem rumo em torno de adultos depravados.

164 – Learning to Drive: Isabel Coixet é uma atriz que extrai ouro das interações humanas mais simples. Cada gesto e palavra contém um mapa sobre a natureza de seus personagens, uma singularidade que não se perde neste seu primeiro registro cômico.

165 – Coração Sangrento: um drama com toques de thriller muito bem resolvido até a vinda de um terceiro
ato que perde toda a sua credibilidade ao assumir uma envergadura mais feminista. Ainda assim, Jessica Biel, talvez a atriz mais subestimada de nossos tempos, vale cada segundo.

166 – Pai em Dose Dupla: Will Ferrell e Mark Wahlberg tiveram uma química surpreendente em Os Outros Caras e aqui provam, mesmo como rivais, que nasceram um para o outro. Pena que não haja talento que salve um filme com uma piada só.

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