Transparent conta a história do patriarca de uma família que acaba de assumir a sua transexualidade, e como a mesma lida com isso em meio ao mar de situações difusas nas quais se encontram. A série, que estreou em fevereiro do ano passado, trouxe à tona muitos tabus ainda pouco comentados em seriados e deu um enfoque à transexualidade nunca dantes visto. Detentora de ótimas críticas e premiações, e muito à frente de seu tempo, a nova obra de Jill Soloway retorna esta semana, e o Cinema de Buteco lista cinco razões para você assisti-la.
#1 Porque é uma aula rápida, eficaz e humanizada sobre gênero.
Transparent não é um documentário super detalhado sobre transexualidade, mas de alguma forma muito brilhante, a cada novos vinte minutos que Jill Soloway nos apresenta, ela consegue acrescentar alguma coisa ao debate. Trans cis, trans homo, travestismo, preconceito dentro da comunidade trans, todos os tópicos são incluidos de forma muito sutil e extremamente contextualizada. Porém o mais emocionante é que além de informar a série nos toca, e nos empatiza um pouco com as situações enfrentadas por esta comunidade.
#2 Porque explora naturalmente os diversos tipos de sexualidades.
O tabu sendo discutido aqui é gênero, sexualidade não deveria ser nem mais uma questão, afinal já estamos em 2015 e as pessoas podem se manifestar sexualmente da forma como bem entendem. Homossexualidade, poligamia, sexo inter-racial, Sexo consensual com menores, tudo é válido em Transparent e apresentado com extrema naturalidade. Passando longe do discurso “pode ou não pode” em relação à sexualidade de seus personagens, o roteiro justifica os comportamentos dos mesmo, mas em momento algum se mostra desconfortável ao abordá-los. E mais, ainda nos dá um ótimo insight sobre uma gama muito peculiar de fetiches.
#3 Porque tem um olhar muito delicado sobre a gerontologia.
Para mim, sem dúvidas, uma das coisas mais formidáveis no roteiro de Soloway é a forma atenciosa como ela retrata o envelhecimento de seus personagens. A gana pela realização pessoal, a coragem para finalmente ser o que você é, o sentimento de vida desperdiçada, a liberdade da pós paternidade, as desabilidades físicas… Tudo é capturado com tanto carinho e atenção que nos cativa de forma muito surpreendente. As atuações também são outro grande motivo dessa verossimilidade, de Jeffrey Tambor à Judith Light, passando por nomes como Lawrence Pressman e Bradley Whitford, Transparent conta com um elenco de peso de atores da terceira idade, de fazer inveja a qualquer outro programa de TV.
#4 Porque dialoga sobre estruturação familiar contemporânea.
Entre as idas e vindas dentro do debate sobre o que é uma família contemporânea, Transparent também não tira o seu time de campo e dialoga sobre a desformatação do modelo familiar antigo, e como isso afeta positivamente ou negativamente os frutos desta família. Resultados completamente bizarros e disfuncionais de uma família tradicional, Sarah, Josh e Ali procuram outras alternativas para se adequarem ao formato, mas quando isso afeta terceiros, até que ponto outras pessoas terão essa mesma visão desconstruída e vanguardista que os Pfeffermans possuem?
#5 Porque todos amam uma boa dose de “White People Problems”.
Dito isto, nem metade de todas essas questões que Transparent aborda poderiam ser discutidas se o ambiente não fosse seguro para isso. Brancos, americanos e de classe média, os Pfeffermans claramente não enfrentam questões mais agressivas no seu cotidiano, como fome e violência. Isso abre um leque enorme de outras questões para serem abordadas e tempo para isso. E para nós que ainda não vivemos nessa realidade quase que utópica deles, é refrescante sairmos um pouco do nosso cotidiano e apreciarmos como as coisas idealmente poderiam ser.
Transparent já liberou o seu primeiro episódio desta segunda temporada, que se soma aos dez de trinta minutos da anterior. A série pode ser acompanhada através do amazon.com08 e te fará questionar muitos esqueletos sociais ainda guardados no armário.