
10 DICAS PARA CURTIR NA MOSTRA DE SÃO PAULO 2020
EM SUA 44ª EDIÇÃO, A MOSTRA DE SÃO PAULO está, mais do que nunca, propícia para a experimentação. Se o próprio evento experimenta um novo formato, inteiramente digital, o público também pode (e deve) estar aberto ao inesperado na escolha do que assistir. A partir das 20h de 22/10, a plataforma MostraPlay abriu as suas portas para a jornada.
Escolha dos filmes
Nos anos anteriores, produzir uma lista como esta seguiria alguns critérios: diretores consagrados, filmes premiados em festivais anteriores e filmes aclamados pela crítica. Para 2020, no entanto, decidimos embarcar no clima de novidade e analisar, uma por uma, as 198 sinopses oferecidas pelo Guia de Programação da Mostra. Com um olhar atento para as premissas mais curiosas e fora-da-caixa, do jeito que o Buteco gosta, mas especialmente para as que trazem discussões de questões do nosso tempo – uma característica das seleções da Mostra -, chegamos a dez filmes que poderão te dar o melhor proveito desse cardápio.
Confira as nossas 10 dicas para curtir na Mostra de São Paulo 2020!
Lista
A Arte de Derrubar
A Arte de Derrubar contribui muito com as discussões sobre a nossa época levantadas pela Mostra. Exibido anteriormente nos festivais Hot Docs e Visions Du Réel, o documentário narra a trajetória de Wandile, uma pessoa negra e trans envolvida num contexto profundamente distinto de sua realidade: uma universidade dominada por brancos. Na natural busca por agrupamento, ela se junta a um movimento estudantil pela descolonização da instituição e, com ele, luta e sofre as represálias de um sistema repressivo e colonialista. Os espaços opressivos com determinados grupos sociais ainda são uma realidade para muitas e muitos jovens – não apenas na África do Sul. Em algumas histórias, os oprimidos reagem.
Saiba mais sobre o filme e como assisti-lo em sua página na Mostra.
Cozinhar F*der Matar
Pode soar preguiçoso, mas o interesse por Cozinhar F*der Matar pode ser resumido em um trecho, extraído do próprio Guia de Programação: “Um drama absurdo que retrata um torturador violento, abuso sexual e doméstico, inspirado em pesquisa sobre a violência em prisões masculinas e femininas conduzida pela diretora Mira Fornay.” Junto com essa descrição, as imagens reveladas dessa produção tcheco-eslováquia (incluindo a que ilustra este parágrafo) mostram um universo onde o bizarro e o chocante assumem o lugar do comum. Prato cheio para quem topar embarcar nessa.
Saiba mais sobre o filme e como assisti-lo em sua página na Mostra.
Impedimento em Cartum
Coisa tão comum na infância de qualquer garoto, o futebol é, por si, um caminho restrito para as mulheres. O que se reflete em preconceito social e remuneração desigual no Brasil é muito mais duro em outras realidades. No ano passado, por exemplo, uma iraniana ateou fogo ao próprio corpo após ser condenada à prisão por ir a um estádio no seu país, onde a prática é proibida para mulheres. No Sudão, o governo militar proíbe mulheres de jogarem futebol profissionalmente. E é isso o que as mulheres de Impedimento em Cartum (nome da capital sudanesa) estão dispostas a mudar. O documentário mostra a caminhada delas para serem reconhecidas como a equipe feminina de futebol oficial do Sudão. Um percurso que, certamente, não foi fácil. Para ver uma história de mulheres corajosas, não há contra-indicação.
Saiba mais sobre o filme e como assisti-lo em sua página na Mostra.
Mães de Verdade
Naomi Kawase é uma diretora de nicho consolidado no Brasil – seus filmes normalmente são lançados no cinema, em circuito restrito. Em festivais e mostras, porém, ela realmente encontra seu público. Em Mães de Verdade, a trama deve atrair até os mais resistentes ao seu cinema: anos depois de adotar sua filha, um casal é confrontado por uma mulher que finge ser a mãe biológica da criança. É difícil não ver potencial nessa história – especialmente se você for fã de “Amor de Mãe”, novela da TV Globo.
Saiba mais sobre o filme e como assisti-lo em sua página na Mostra.
Nariz Sangrando, Bolsos Vazios
Ao mesmo tempo em que muitas coisas nascem, uma das mais duras marcas da atualidade é o fim de muitas outras coisas. Locais que fecham as portas, hábitos e expressões culturais extintos são marcas da memória coletiva sendo apagadas. Em Nariz Sangrando, Bolsos Vazios, temos acesso à última noite do bar The Roaring 20s, na tão extasiante quanto bucólica Las Vegas, um lugar feito para os que buscam fugir da própria realidade. Quando um abrigo assim deixa de existir, quantas não serão as lembranças e histórias levadas com ele? É isso o que este documentário norte-americano poderá nos contar.
Saiba mais sobre o filme e como assisti-lo em sua página da Mostra.
Números
Certo, isso não é importante, mas a verdade é que alguns filmes se tornam notórios simplesmente pela história de como foram feitos. Além de ser uma distopia curiosa (a rotina de dez pessoas controladas por um governo autoritário), Números foi dirigido por um detento, preso por se opor a um governo autoritário – o russo. Da cadeia, Oleg Sentsov dirigiu o filme, por cartas, orientando Aktem Seitablaev a comandar a produção no set. Parece ser a pessoa certa para a missão. Na prática, qual terá sido o resultado?
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Summertime
Na introdução dessa lista, escrevi que o critério “nome do diretor” não seria usado. Embora aqui essa regra tenha sido descumprida, houve uma boa licença: não se trata de um realizador consagrado. Carlos López Estrada, diretor de Summertime, estreou no comando de longas-metragens no recente 2018, com uma pequena obra-prima chamada “Ponto Cego”. Agora, a Mostra apresenta ao público brasileiro o seu segundo filme. Não há melhor lugar para conhecer a obra de um artista.
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Mar de Dentro
O processo de maternidade poucas vezes é retratado honestamente por narrativas – no cinema ou fora dele. Da idealização (“toda mulher nasce para ser mãe”) à realidade do abandono e da sobrecarga de responsabilidades, Mar de Dentro foge das escolhas óbvias para contar a história de Manuela, uma mulher em desencontro com a própria maternidade durante a gestação. Estar grávida não a encanta, mas é a realidade; ela precisará ser mãe. Se a produção faz ou não jus a uma proposta original de retratar essa experiência, só se sabe vendo. A intenção, no entanto, já vale a visita.
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Cracolândia
O período de eleições municipais, que agora atravessamos, sempre levanta discussões acerca das drogas e dependentes químicos. Em São Paulo, não há um candidato ou candidata à prefeitura sequer que, em algum momento da campanha, não seja indagado sobre “como resolverá a questão da Cracolândia”. Se há visões conflitantes, sempre vale a pena absorver mais conhecimento de quem se dedica a estudar o assunto. Cracolândia, documentário de Edu Felistoque, falou com sociólogos, secretários de saúde e outros especialistas para chegar a algum lugar, seja qual for. Não poderia vir em melhor hora.
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