O episódio se inicia com Dr. Ford contando a seu habitual parceiro de copo Bill, um android/cowboy de aparência um tanto envelhecida, sobre a coisa mais triste que viu na vida. O mentor conta que, quando era criança, ganhou de seu pai um cão da raça Greyhound, típico de corrida: a vida desse tipo de animal se resume a correr em círculos atrás de um pedaço de pano que aparenta ser um coelho. Só que um dia, após retirarem sua coleira, durante um passeio parque, o cachorro avistou e matou um gato pensando ser o objetivo a que sempre perseguiu, porém não soube o que fazer depois.
O canino, neste caso, seriam os andróides, que também vivem em círculos (narrativa) e uma simples brecha no sistema pode acarretar em algo trágico, pois não sabem lidar com tal novidade. É preciso entendermos que, embora cheio de enigmas e cenas aparentemente neutras ou sem conexão com as outras, Westworld sempre dá significação para cada detalhe. Por exemplo, em sua nova vida, com o grupo de William, vemos que Dolores não acorda mais do vazio, mas de sonhos, como se alguém a estivesse chamando, deixando-a cada vez mais intrigada e com sede de mudança.
Entrando em uma vila cheia de comércio e promiscuidades, Logan conta ao dois que o lugar foi criado por um conselho de marketing e é diferente dos primeiros cenários, é mais experimental, mas não é barato. Também lembra que um dos sócios (Arnold) se suicidou dentro do parque, antes da inauguração, acarretando na queda das receitas. William acredita que quem faz um parque cheio de andróides não tem muita fé nas pessoas. Filosófico, não? Ainda mais depois de conhecermos um grupo chamado “Exército da Nova Virgínia”, mercenários da guerra, que ficam no limite do parque.
O homem de preto continua sanguinário. Traz consigo Teddy quase morto em cima de um cavalo, acreditando que este pode levá-lo a Wyatt. Após pedir a um menino que trouxesse água que para reanimar o mocinho. Na verdade, ele engana Lawrence ao falar sobre destinos e corta sua garganta para poder extrair o sangue e acordar o cowboy que estava ferido. É revelado que os andróides só receberam aparência humana por ser mais “econômico”.
Em conversa com Dr. Ford, Dolores diz não ter contato com Arnold desde o dia que se matou, o que descobrimos ser uma mentira e que, provavelmente, é dele a voz que ela ouve durante sonhos e alucinações. A mocinha é lembrada por Robert que, no passado, ela motivou uma grande explosão que levou à morte o antigo sócio e co-criador de Westworld e a questiona sobre qual papel ela está disposta a interpretar: heroína ou vilã. A resposta veio nas cenas seguintes.
Ela ajuda William e Logan a roubar uma carga de nitroglicerina e entregar a “El Lazo” codinome do crime de Lawrence, agora com seu ciclo narrativo reiniciado. Com a mercadoria entregue, o trio se reune com os mercenários (Confederados) em um luxuoso bordel. Isso dá tempo para o androide criminoso passar a substância explosiva para o corpo de um anfitrião morto e encher os vidros com tequila. Dolores vê tudo e conta a William, dizendo que os dois têm que fugir rapidamente, pois há uma voz agindo em sua cabeça.
Ao tentarem sair, foram cercados pelos mercenários que, a esta hora, já sabiam e os responsabilizavam pela troca do líquido. Eis que aparece uma nova versão da, até então, jovem doce. Dolores mata a tiros cada a um dos bandidos. Isso é faroeste, amigos! A boa moça diz não querer mais ser uma donzela.
Um ponto aqui precisa se destacado. Pode soar de forma banal, mas querido leitor, por favor, se você não assistiu, assista ao clipe da canção “Wake me up when september ends”, da banda Green Day. Esqueça a música, a melodia, etc. Preste atenção nas cenas em que a atriz Evan Rachel Wood aparece ao lado de Jamie Bell (seu namorado também na vida real).
Os dois estão abraçados em um grande campo de flores. O jovem foi chamado para servir o exército americano na guerra (provavelmente contra o Iraque) e está se despedindo. Olhem as expressões de Wood ao se declarar para ele. Ela parece ter nascido para atuar em dramas, romances, tamanha a facilidade com que consegue passar a emoção ao espectador. Lembrando que romance não é só beijo e abraço.
Por fim, um encontro inesperado. Dr. Ford aparece no cenário de um bar onde estão o homem de preto e Teddy. O antigo visitante diz ao criador do parque que está dando sua “contribuição” à narrativa sendo um vilão de verdade e pergunta se no labirinto há alguém “à altura” de enfrentá-lo. Explica a androide que Westworld foi projetado para dar às pessoas algo que elas não encontravam no mundo real: um propósito. Ele também desconfia de que há algo de verdadeiro naquele lugar artificial e que apenas Arnold poderia esclarecer essa questão.
Mais um episódio de Westworld e as dúvidas continuam. Talvez o picotamento da história e a quebra na sequência das cenas aumentem o mistério e acabem desconstruindo possíveis teorias sobre o parque. Até onde vai a descoberta de Maeve que acaba de acordar no estaleiro dos andróides? O que de fato aconteceu com Arnold, sócio do Dr. Ford que morreu no parque? Ele realmente está morto? Qual o verdadeiro papel de Dolores na história: vilã ou mocinha? Resposta nas próximas semanas.
https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=RS_1-_EJ0Zk