Sem Controle


Loucura, maldade e vingança. Em Sem Controle, Danilo (Eduardo Moscovis) é um produtor de teatro obcecado pela história de Motta Coqueiro, fazendeiro vítima da pena de morte no Brasil. O caso de Manoel da Motta Coqueiro foi responsável pela extinção da pena de morte no Brasil após o fazendeiro ter sido executado injustamente.
Logo no início do filme vemos Danilo atormentado, frustrado pelo fracasso de sua peça sobre a vida de Motta Coqueiro. Isolado. Até que uma amiga sua, Márcia (Vanessa Gerbelli), o encontra em casa naquele estado e o leva para o sanatório em que trabalha para que Danilo possa descansar.
Na clínica, o produtor de cinema conhece Aline (Milena Toscano), a moça ia até o lugar todos os dias acompanhar um amigo seu se medicar. Sempre na companhia de um livro, esperava pelo amigo no jardim. O interesse de Danilo pela moça foi imediato. Começaram a se envolver, e durante este tempo, Danilo se sentiu motivado a reescrever sua peça, que havia fracasssado.
Peça pronta, Márcia e Danilo decidem fazer uma oficina de teatro no sanatório. E com o tempo, apresentar os personagens da peça de Danilo aos pacientes. Com o passar das aulas, o produtor se surpreende com a capacidade de seus alunos, com a “normalidade” e talento deles. Mas Márcia o alerta de que são todos pacientes em tratamento, não podem de forma alguma ficar sem medicação.
Nessas oficinas, é que Danilo descobre que Aline, é na verdade paciente do sanatório. E após saber da boca de Márcia sobre os problemas da moça, Danilo se afasta. O problema de Aline? Ela não sente culpa, nem pelo ato mais cruel.
A partir daí, o filme que parecia sem graça, bobo, começa a tomar emoção, ou melhor, emoções. O esforço de Danilo para se afastar de Aline, a loucura, obsessão de Aline por Danilo. A raiva de Márcia ao saber do caso dos dois. A confiança e afeto dos pacientes por Danilo. Medo, surpresa, empolgação, loucura. Tudo isso vem de uma vez só.
Márcia expulsa Danilo da clínica e acaba com sua oficina de Teatro quando descobre o caso entre ele e Aline. Aline, insatisfeita, arma em sua casa uma festa para Danilo com a participação de todos os seus alunos.
Na festa, Aline dopa Danilo e o obriga viver uma outra realidade, outra vida, que ele já conhece bem: a de Motta Coqueiro. A maluca o leva até uma fazenda e o obriga a viver a história do fazendeiro.

O filme vai até esta parte tranquilo, apesar das supresas que nos aparecem lá pela metade. Mas a partir deste ponto, a história do diretor frustrado de teatro, passa de interessante para chocante e assustadora. Um nó na garganta, ansiedade e indignação. Companheiros meus na parte final do filme. É bom assistir e ver que o cinema brasileiro produz obras muito além de Didi qualquer coisa. Roteiros mais complexos, inteligentes e envolventes.
Ótimo, maravilhoso! À altura de Lavoura Arcaica. Eu recomendo.

Direção de Cris D’Amato.
Roteiro de Sylvio Gonçalves.
Produção de Julio Uchôa.
Ano de 2007.

(Primeiro post! Ê!)