REVIEW todos menos você

Review Todos Menos Você: Ainda dá para rir de problemas de pessoas ricas e gostosas?

O CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A crítica de Todos Menos Você possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação. 

 

poster todos menos vocêO CINEMA É UMA ARTE PARA TODOS. Você pode encontrar histórias inteligentes, imbecis, engraçadas, sem graça, assustadoras etc. Com o tempo, a gente entende que nem todo filme é para qualquer pessoa – o que me deixa indignado com listas de piores filmes feitas por quem não procura os “melhores” candidatos e prefere investir em produções que desgostam ou se frustraram. Em Todos Menos Você (Anyone But You, Will Gluck, 2023) temos uma autêntica comédia romântica para quem acha que é possível desligar o cérebro. 

A trama acompanha esse casal que passa uma noite juntos e por uma série de escolhas equivocadas, acabam se afastando até se reencontrarem meses depois. Com sangue nos olhos e ódio mortal um do outro, eles são obrigados a conviverem durante uma viagem e precisam redescobrir o amor. 

O elenco tem Glen Powell (Top Gun: Maverick) e Sydney Sweeney (Euphoria) como protagonistas. Ou seja, é mesmo uma daquelas comédias românticas para você colocar na TV, enquanto divaga sobre a vida e suspira querendo ser uma pessoa diferente (rica e gostosa, de preferência). Também serve como filme perfeito para levar alguém ao cinema e ouvir o que acontece. Não tem nada de errado com isso, claro. Especialmente quando o filme é honesto, divertidinho, com algumas piadas boas. Mas eu tenho uma questão. 

Por mais que eu goste de corpos gostosos usando pouco pano, é um pouco cansativo tentar se importar ou preocupar com seus respectivos dramas. Se por um lado, dependendo do nosso momento e da quantidade de neurônios ativados, podemos sorrir pelo romance, por outro, é uma tijolada no saco ver essa mesma história estrelada sempre por atores dentro do mesmo padrão. Pior ainda: a narrativa é sobre personagens tão ricos que podem realizar sua festa de casamento na fucking Austrália. 

Essas projeções do que é ser bem-sucedido romântica e profissionalmente, me parece um tanto perigosa e fora da realidade. Perigosa porque nós já temos a porra do Instagram tentando nos convencer o tempo inteiro que a vida das outras pessoas é melhor que a nossa. Quando a arte de entretenimento vai por esse caminho, ela reforça o sentimento de que ISSO é o certo. Não é. E quando digo “fora da realidade”, bem, falando especificamente do nosso contexto brasileiro, fica impossível se identificar com os personagens. Exceto se você morar no Leblon, claro. 

Não me entenda mal. Eu adorei derreter meu cérebro e ficar mais burro com Todos Menos Você. Só não consegui ignorar a mensagem da obra. Acho que cada vez mais, esse tipo de narrativa vai se tornando irrelevante e destinada apenas para as pessoas dispostas a viver somente de sonhos e projeções criadas pela indústria de entretenimento. O filme não é ruim, mas ele representa ideias que já deram no saco.