Desde o lançamento do trailer, eu sabia que “Pobres Criaturas” seria meu filme do ano, e agora, após assisti-lo, posso afirmar que talvez seja o filme da década. Este trabalho é uma jornada cinematográfica única, repleta de descobertas, reimaginando nosso mundo em cenários futuristas e alienígenas enquanto aborda temas profundos como desejo, poder feminino, crueldade e a capacidade intrínseca da humanidade para a bondade total através da mudança.
A trama, que envolve Willem Dafoe ressuscitando Emma Stone com o cérebro de seu bebê não nascido, conduz a uma narrativa curiosa que, apesar de inicialmente estranha, evolui para uma brilhante jornada de aceitação e força. A crítica em torno das cenas de sexo é infundada, pois esses momentos são cruciais para a autodescoberta e compreensão dos relacionamentos de Bella, oferecendo uma visão inovadora sobre a experiência feminina.
As performances de parte do elenco, especialmente de Emma Stone, são excepcionais, solidificando seu status como a atriz da nossa geração. A cinematografia, os cenários, as cores e a trilha sonora contribuem para a excelência técnica do longa. Apesar das críticas, a coragem de abordar temas ousados é admirável, e é revigorante ver um filme de Hollywood de grande orçamento que se arrisca tanto.
Contudo, a obra não é isenta de falhas. Embora a cinematografia e o design de produção se destaquem, a narrativa se desenrola de maneira relativamente direta para um filme de Yorgos Lanthimos, carecendo da ambiguidade característica de suas obras anteriores. A escrita é, por vezes, fraca, com um humor que parece um tanto formulado.
O personagem interpretado por Mark Ruffalo é um ponto fraco, prejudicando a credibilidade da trama. Sua atuação e o desenvolvimento do personagem são questionáveis, tirando o espectador da magia inicial do filme. A trama perde parte de sua profundidade quando Bella parte para Lisboa, e a falta de mistério ou ambiguidade compromete o impacto final.
No entanto, a originalidade e a reflexão interna e externa proporcionadas pela produção são notáveis. A abordagem fora da caixa e as discussões em paralelo tornam “Pobres Criaturas” uma obra que merece ser revisitada e refletida. Mesmo com suas imperfeições, o filme se destaca como uma contribuição valiosa à cinematografia contemporânea, provocando discussões relevantes e oferecendo uma experiência única e impactante.
Em última análise, “Pobres Criaturas” é um filme que transcende expectativas, desafiando convenções e deixando uma marca duradoura naqueles que se aventuram em sua narrativa surreal e provocativa. Este é, sem dúvida, um longa que ficará gravado na memória por anos, uma obra-prima que ousa explorar territórios desconhecidos e incitar reflexões profundas sobre a natureza humana.
Pobres Criaturas (Poor Things) dirigido por Yorgos Lanthimos com roteiro de Tony McNamara tem previsão para ser lançado no Brasil em fevereiro de 2024.