É comum que filmes temáticos tenham suas estreias em datas comemorativas, então é óbvio que no Dia dos Namorados teremos pelo menos um ou dois filmes de romance em cartaz nos cinemas, mas vez ou outra rola uma malandragem por parte das distribuidoras brasileiras, como esquecer de “Namorados Para Sempre”? Lindo drama sobre fim de relacionamento que foi lançado nesse período, E COM ESSE TÍTULO!!! Mas esse ano temos uma escolha interessante para a data, afinal, “Assassino por Acaso” é uma comédia romântica sensual e esperta que foge do lugar comum e combina demais com o tema.
Na trama, um homem trabalha como professor universitário, mas de vez em quando faz bicos fingindo ser um assassino de aluguel para ajudar a polícia a ter provas contra os criminosos, numa dessas ele se envolve com uma mulher que está tentando matar o marido.
Interpretado por Glen Powell (Todos Menos Você), o protagonista parece ter saído direto de um filme do Alexander Payne, é um típico homem comum americano que parece desinteressante para as pessoas que o cercam, mas a partir do momento em que passa a interpretar personagens para enganar as pessoas, ele começa a enxergar os benefícios de ter uma outra personalidade, e então utilizar uma dessas personas como parte de sua própria personalidade. E nesse ponto é muito interessante como a atuação de Glen evolui naturalmente sem nunca ficar sério demais. Aliás, esse é o ponto alto de “Assassino por Acaso”, não se levar a sério, e por inúmeras razões lembra muito os filmes dos anos 90, daqueles que passariam fácil em um sábado no Super Cine por exemplo, mas infelizmente são raros os “filmes simples” hoje em dia, que me fez lembrar do excelente discurso do diretor e roteirista Cord Jefferson, ao ganhar o Oscar de melhor roteiro adaptado por “Ficção Americana” (outro exemplo de filme simples contemporâneo): “[Hollywood] Em vez de fazer um filme de US$ 200 milhões, façam 20 filmes de US$ 10 milhões ou 50 filmes de US$ 4 milhões”.
Uma outra característica positiva, é que os personagens não precisam serem “bons” para que a gente goste deles, o que também contraria uma tendência do cinema americano, especialmente em comédias românticas, mas é importante ressaltar que, apesar do flerte com a questão da consciência e moral, o filme não chega nem perto do drama existencial sensual “Match Point” de Woody Allen, que seria um irmão mais velho e mais bonito que esse aqui.