Resistência
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Resistência (The Creator)

Novo filme de Gareth Edwards, diretor de Rogue One (2018), “Resistência” tem sido divulgado como um filme imperdível para os fãs de Star Wars. Apresenta o planeta, em um futuro próximo, tendo sido tomado por um grande desenvolvimento das inteligências artificiais. Porém, após um ataque em Los Angeles, que é atribuído às máquinas, o mundo explode em uma guerra entre os seres humanos do ocidente e as inteligências artificiais, protegidas pelos habitantes da chamada Nova Ásia.

Tecnicamente um filme primoroso, com um visual épico e impecavelmente desenvolvido, a obra impressiona em seu trailer. Junte isso a uma temática que está extremamente em alta – as Inteligências Artificiais – e a trilha sonora de Hans Zimmer (compositor de trilhas sonoras clássicas como as de “Gladiador”, “A Origem” e da franquia de “Piratas do Caribe”) esse filme prometia muito. Infelizmente, parece que “Resistência” nunca conseguiu chegar em seu destino.

Resistência

Com visuais esplendorosos, linda fotografia, planos abertos majestosos e assuntos grandiosos sendo abordados, a sensação quando o filme termina é que ele tentou dizer muito, mas as mensagens são confusas e pouco aprofundadas. O primeiro ato é engajante, apresentando um mundo novo e as relações entre os personagens, além de um conflito interessante para ser resolvido. É durante o segundo e o terceiro ato que a obra perde a sua potência, sem conseguir aprofundar seus temas macro e focando na relação entre o protagonista Joshua e a IA Alfie, deixando pontas soltas em tantas temáticas que haviam sido levantadas.

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John David Washington, que interpreta Joshua, tem uma atuação competente, e consegue levar os expectadores na sua jornada. Mas, após trabalhos tão brilhantes quanto sua atuação em “Infiltrado na Klan” (2018), esta ficção científica está longe de ser seu melhor trabalho. Assim como o roteiro do filme, é competente, mas sem muito coração. Seus melhores momentos são quando contracena com Gemma Chan (“Eternos”, 2021), que interpreta sua esposa Maya, uma personagem importantíssima, porém pobremente explorada.

Podemos tirar reflexões importantes da história contada, tanto sobre as inteligências artificiais em si, quanto em relação à temas como a xenofobia. O roteiro e a direção, porém, perdem oportunidades de fazer um paralelo mais sólido com o segundo tema. Isso ocorre tanto pela superficialidade quanto pelas motivações e decisões de vários personagens, que muitas vezes não são coerentes ao longo da obra. Essas motivações incoerentes poderiam retratar a hipocrisia e os falsos interesses dos Estados Unidos, mas a forma que isso é mostrado nunca deixa claro as intenções do roteiro.

Resistência

“Resistência” não é um filme ruim, muito pelo contrário. Se destaca, principalmente, por seu design de produção primoroso. Mas com uma proposta tão interessante de universo e sendo vendido como “uma ficção científica como não se fazem mais”, consegue ser apenas competente e, portanto, provavelmente completamente esquecível e sem personalidade própria o suficiente para gerar uma futura franquia.