Filme: Ronaldo

Filme “Ronaldo” tem muito blá-blá-blá e pouco futebol

Ronaldo

Não gosto de criar expectativas, mas se tinha uma coisa que eu esperava ver no documentário sobre Cristiano Ronaldo, essa coisa era gol. Muitos gols, aliás. O jogador do real Madri tem quase 450 gols na carreira e o filme mostra apenas 37 deles. Para quem tem curiosidade pela vida pessoal dele, talvez o filme seja mais interessante.

Produzido pela Universal, estreou dia 9 de novembro e estará disponível em Blu-ray e DVD a partir de 8 de dezembro o filme que conta a história pessoal e familiar do craque com alguns toques de drama e muitas cenas sem camisa. O jornalista Joshua Robinson, do The Wall Street Journal, cronometrou o filme e, de 89 minutos, viu Ronaldo 3min45s sem camisa.

Falando em minutos, a intenção de mostrar o “lado pessoal” dele foi tão grande que tem quase mais tempo de Cristiano cantando uma música da Rihanna (sim) do que usando a camisa do Sporting de Lisboa.

Repetidas vezes ele aparece dizendo que adora vencer, o quanto gosta de ser o melhor em tudo, como é ótimo pai, ótimo filho e ótimo jogador. Caseiro, não aparecem mulheres ou namoradas no filme – e, sobre a mãe do filho dele, Cristiano afirma: “Esse é um assunto que só diz respeito a mim e ao meu filho. Só ele saberá quem é a mãe”.

Também tem o fatídico episódio da Copa do Mundo de 2014. Quando Portugal perdeu por 4 a 0 para a Alemanha, a produção acompanhou o jogador no Brasil e, simultaneamente, as reações da sua família, amigos, e do seu empresário, Jorge Mendes, em Portugal. Depois, mostram até a conversa que Cristiano teve com a mãe antes do empate no jogo contra os Estados Unidos. Sobre isso, o filme deixa claro o arrependimento dele em ter participado da Copa mesmo não estando “100%”, por causa uma lesão na época. Jorge Mendes reforça a construção do ato heroico: “Não tinha condições físicas. Qualquer outra pessoa teria desistido, mas ele foi”.
Nenhum outro jogador aparece no filme, com exceção do argentino Lionel Messi, logo no começo, quando fala sobre a rivalidade entre os dois, e no final, num momento antes da festa de gala da “Bola de Ouro”, em janeiro deste ano – o que revela o luso muito solitário e com poucos amigos.

Pessoalmente, confesso que nunca tive muita empatia por ele. Achei que o filme mostraria um lado diferente ou até que me fizesse mudar de ideia, mas não chegou a isso. Apesar da imagem de muito carinhoso e focado, o que eu vi foram recortes que reforçam o quanto ele é vaidoso e egocêntrico.

Mas, verdade seja dita, as cenas em que ele aparece jogando bola (mesmo que poucas) são sensacionais. As escolhas, o foco e a edição são emocionantes. Mas nem de longe refletem o brilho que tem o CR7 dos gramados.