Deadpool 2

O Cinema de Buteco adverte: A crítica de Deadpool 2 possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

poster deadpool 2A FOX SEMPRE DEPENDEU MUITO DA FRANQUIA X-MEN PARA SE DAR BEM NO MERCADO DOS SUPER-HERÓIS. Nem mesmo os filmes solo do mutante enfezado Wolverine conseguiam empolgar. E não precisamos lembrar de Quarteto Fantástico, certo? Mas o jogo começou a mudar em 2016 com a aposta no desbocado Deadpool.

Os produtores decidiram criar novas regras para o jogo e investiram em piadas pesadas, cenas de violência explícita dignas das produções de Quentin Tarantino e muito descompromisso com a falta de noção. Deadpool foi uma surpresa que deu carta branca para os estúdios aprovarem Logan, que também vai além da cota comum de violência.

Dois anos se passaram e doido tagarela está de volta em Deadpool 2, que é tão bom quanto o original, mesmo deixando de ser uma novidade. Ryan Reynolds agora recebe a companhia de Josh Brolin, que vive o mutante Cable, para uma jornada familiar, como o protagonista adianta na introdução da continuação.

A verdade é que querer ser um filme família é bem diferente de ser. Deadpool 2 recebeu censura 18 anos e isso possivelmente frustrará vários jovens empolgados que cresceram consumindo violência explícita – e acabaram de se deliciar com Brolin chutando traseiros como o vilão Thanos em Vingadores: Guerra Infinita.

Cable, para quem não sabe, é originalmente o filho de Ciclope e Jean Grey. No entanto, não fica claro se a adaptação respeitou isso. Isso faz diferença pra narrativa? Nem a pau. Ninguém nunca se importou com o Ciclope e não ia ser agora que ele teria importância. Mas Cable continua como um viajante do tempo rabugento e implacável, o que rende piadas inevitáveis lembrando Arnold Schwarzenegger em Exterminador do Futuro.

Julian Dennison, jovem ator do sensacional A Incrível Aventura de Ricky Baker, é um dos destaques da narrativa. Visivelmente fora do seu peso ideal e sofrendo com vários tipos de abusos de uma instituição que deveria cuidar do seu bem-estar, Russell se torna uma ameaça que desencadeia todos os eventos de Deadpool 2.

Tudo bem que o roteiro não dedica a atenção necessária para aprofundar essas questões e deixar escancarado para seu público, mas com um pouco de boa vontade é possível ignorar esse probleminha narrativo. Quem não ignorar, certamente vai achar Russell apenas (mais) um moleque insuportável que quer fazer suas próprias regras do mundo.

Interessante apontar um paralelo com outra obra da Marvel. Em Pantera Negra tivemos um vilão, vivido por Michael B. Jordan, que teve a sua origem na infância. Em Deadpool 2 sabemos o que Russell se tornará no futuro, mas acompanhamos o seu presente para tentar mudar esse cenário através do carinho, amor e atenção. Exatamente o que faltou na infância do cara vingativo de Pantera Negra.

Dizem que uma continuação pode simplesmente se arriscar repetindo o que funcionou no seu original e adicionar novos elementos. Deadpool 2 segue esse script. Mesmo sem escolhas musicais tão inspiradas (parece que é um mal de filmes de herói, afinal nem Guardiões da Galáxia vol.2 conseguiu se superar nesse quesito), o longa investe em muitas sequências com canções conhecidas. Aliás, a música se torna parte de diversas piadas e referências engraçadinhas em todo o roteiro…

Tiveram a coragem (ou cara de pau) até de repetir os créditos engraçadinhos em que os nomes dos artistas responsáveis por transformar o sonho em realidade são trocados por piadinhas ácidas. Desconfio até que repetiram algumas delas. Só que desta vez fizeram algo capaz de levar os cinéfilos ao delírio com uma paródia das aberturas da série 007.

Deadpool 2 é realmente tudo que os fãs queriam assistir. Toda a falta de noção politicamente incorreta, a violência gráfica explícita transformada em caricatura e personagens carismáticos por suas sucessões de falhas de caráter estão de volta. Caso você tenha desenvolvido uma relação séria com o original, pode ter certeza que irá se divertir muito em Deadpool 2.

Deadpool 2 trailer

Deadpool 2 spoilers

deadpool 2 critica

A partir de agora vamos entrar na área de spoilers! Não prossiga se ainda não tiver assistido Deadpool 2.

Uma das grandes surpresas da produção acaba sendo estragada pelo próprio IMDb, que credita Brad Pitt a um personagem invisível chamado Vanisher. No único momento em que Vanisher fica visível, justamente quando morre eletrocutado, Pitt aparece por uma fração de segundos, numa das grandes brincadeiras de Deadpool 2.

Os fãs de HQs devem ter desconfiado da presença do Fanático naquela super prisão para mutantes, mas quando o personagem realmente dá as caras é sensacional. Fica melhor ainda ver a luta do vilão com o Colossus, que inclusive perde um dente – em outro detalhe hilário presente no filme.

Por último, os X-Men realmente aparecem desta vez, mas tudo acontece brevemente numa cena em que o herói tagarela está reclamando da ausência dos principais mutantes da Marvel e da falta de orçamento para que os atores fizessem uma participação especial.

Deadpool 2: Cenas pós-créditos

Toda vez que um filme de herói chega aos cinemas fica aquele suspense com as cenas pós-créditos. Até hoje não entendo quem não cumpre esse ritual e reclama de não ter visto a tal cena. Em mais de 10 anos, já deveria ser fácil entender, né?

Deadpool 2 tem suas cenas pós-créditos. Na verdade, na metade dos créditos. Imagine só o que um maluco como Deadpool faria se tivesse em suas mãos um dispositivo de viagem no tempo… Pois é exatamente isso que acontece.

Ele viaja ao tempo para corrigir algumas coisas erradas, como a morte de sua amada Vanessa (Morena Baccarin), impedir Ryan Reynolds de assinar contrato para estrelar Lanterna Verde, matar aquele Deadpool horrendo de Wolverine: Origens etc. No entanto, a cena mais louca acabou de fora da versão final.

Existe um forte rumor que afirma uma viagem no tempo para matar Adolf Hitler quando ele era apenas um bebê. Os roteiristas afirmaram que a cena foi removida porque até Deadpool precisa de certos limites. Seria definitivamente uma coisa bizarra, mas alguém ficaria chocado de verdade?