Histórias de Cinema #6: Heliezer Soares e seus filmes

A coluna Histórias de Cinema é uma visita ao passado com os nossos escritores relembrando como foi a experiência de assistir a determinadas obras. Caso você queira participar, veja como no final do texto! O texto de hoje é de autoria do nosso colaborador Heliezer Soares.

historias de cinema - super xuxa
Irei comentar um pouco sobre 3 filmes que marcaram minha vida. Não são os melhores que considero, mas foram relevantes.

Não sei dizer exatamente qual o primeiro filme que vi na minha vida, mas posso dizer aquele que marcou minha infância de maneira significativa quando eu tinha uns 7 anos. O filme em questão, estrelado pela rainha dos baixinhos, era o “Super Xuxa Contra o Baixo Astral” … “alto astral a vida é bela, alto astral uma aquarela”. Contudo, o fator marcante nesta obra não era a Xuxa ou o seu cristal insosso e sim o personagem Baixo Astral interpretado pelo Guilherme Karan e provavelmente o único ator decente do filme. Ele era uma mistura de cantor punk-rock dos anos 80, com um visual sujo e gestos peculiares a sua persona. Era um sujeito divertido, que me fazia sorrir e alegrava aquele filme sem graça e artificial. Talvez, em algum dia mais nostálgico, eu crio coragem e revejo esta obra-prima trash.

Matrix Carrie Anne-Moss

Outro filme marcante foi “Matrix”. O primeiro da trilogia dos Wachowski e o primeiro que assisti no Cinema juntamente com minha irmã. Lembro-me da sensação em ver uma obra em tela grande, do som espalhado pela imensa sala e da imersão que isso proporcionava. Foi minha primeira vez e mesmo passado mais de 15 anos é algo que me vem à memória como se fosse ontem. Saí da sala empolgado com o que assistira e prometi a mim que a partir dali iria ao cinema regularmente. Por coincidência, ou obra do destino (Matrix?), os filmes posteriormente da trilogia também assisti nos Cinemas.

vanilla sky destaque

O terceiro filme foi aquele que assisti no início da minha fase adulta, no qual encontrei uma pessoa especial. Ela gostava de “Abre los Ojos” do Alejandro Amenábar, eu gostava de “Vanilla Sky” do Cameron Crowe. Enquanto abria meus olhos naquele céu de baunilha, ela me apresentava coisas que nem sabia que existia, a começar pelo filme que gostava tanto ser um remake de um diretor que já conhecia pelo “Os Outros”. Internet existia no começo desta década, mas era inacessível para mim. Lembro que peguei esse filme com um colega que trabalhava em uma locadora e a identificação foi inegável. Diante da perda e dor, quem não gostaria de amanhecer em um mundo ideal, criado por aquilo que mais almeja? Quem não gostaria de viver um sonho para sempre… de nunca acordar e sentir aquela sensação confortável de ser embalado? Como os sonhos e pesadelos estão próximos, às vezes algo perfeito estraga tão rápido que o melhor a fazer é acordar. E diante de uma queda eu acordei para a realidade, abri os olhos e deixei esvanecer a dor. “Vanilla Sky” causou impacto, ainda mais pelo contexto da minha vida naquele momento. E este três filmes, bem distintos, marcaram minha vida quando criança, adolescente e adulto. Não são os mais importantes, mas foram significativos por motivos pessoais. Obras que permanecerão no meu lembrar até o fim dos meus dias…

A coluna Histórias de Cinema é colaborativa e o espaço está aberto para os nossos leitores. Caso você tenha alguma história legal relacionada com algum filme, envie para contato@cinemadebuteco.com com o assunto “Histórias de Cinema”.

Edições antigas

#1- Batman – O Retorno, por Tullio Dias
#2- Batman Eternamente, por Lucas Paio
#3- A Época da Inocência, por Juliana Uemoto
#4- Menina de Ouro, por Juliana Uemoto
#5- 9 1/2 Semanas de Amor, por Juliana Uemoto