Donald Johanson e Tom Gray terminavam um baseado ao som de Lucy in lhe Skype with diamonds, quando um fragmento lhes chamou a atenção. Uma falange, ao acaso, transformou Lucy numa celebridade.
Lucy era leve e magrela
já sabia andar de pé
mas preferia subir em árvores.
Inteligente ela era, imagina só o que vinha atrás?
Australopithecus Afarensis, teve seus quarenta e dois fragmentos de ossos estudados e dissecados até o tutano.
Mas e se?
E se os ossos encontrados fossem ossos de galinha?
E se Paul e John não tivessem escrito esta canção?
E se o alucinógeno tivesse caído no ralo?
O que seria de Lucy?
O que seria de nós?
O que seria?
Seria mais ou menos assim:
Raios no lugar de eletricidade
Dinossauros não resistirão
Algumas cavernas, sim.
O Bisão, o fogo
Não deixe apagar,
pois os ossos viram carvão
quando incinerados.
Há três milhões de anos
Alguém escreveu no diário:
Etiópia, um dia qualquer:
Lucy, idade desconhecida, sexo feminino. Lucy comia brotos, raízes, insetos, tinha os braços fortes de primata, ombros largos e força para subir. Cérebro em andamento e o coração que batia agitado, tal qual as teclas de uma máquina de escrever.
TUM, TUM, TUM, uma Remington de prata, onde Hemingway, hospedado num hotel em Adis Abeba, após secar muitas garrafas, escrevendo de pé, como de hábito, avisou:
– Escrever? É só sentar diante da máquina e sangrar, como um carvão que brilha.
SOBRE A AUTORA
DENISE CRISPUN – Carioca, formada em História, enveredou pelas letras, pelo teatro e pela contação de histórias em diferentes formatos. Colaboradora de novelas, escreve também programas de humor. Sem preconceito linguístico ou de estilo, salta do drama à comédia apenas pulando um parágrafo. Curiosa por natureza, vai detectando os deslocamentos. Sua escrita é feita em movimento. E muitas vezes, enquanto escreve, pedala. Passa por mal educada, pois não costuma escutar quem a chama no caminho. Fala muito sozinha, mas nunca está só, pois vive cercada de personagens.