Leituras do mês de janeiro

A vida de um leitor que tenta se manter atualizado enquanto lê também clássicos essenciais não é a das mais fáceis. É necessário um pouco de disciplina e, ao mesmo tempo, cuidado para o hobby não virar uma obrigação que lhe tira o sono.

Com o intuito de compartilhar as minhas impressões sobre o que ando lendo, tenho a intenção de postar mensalmente minhas atualizações literárias e um breve comentário sobre cada obra, explorando diferentes gêneros literários e autores de épocas distintas.

Reconheço que comecei 2018 com o pé direito, o que me animou bastante para iniciar essa série de posts, agora resta saber equilibrar a empolgação com as obrigações diárias.

Let’s go!

Larva (Verena Cavalcante, editora Oito e Meio, 94 págs.)

Em 94 páginas, a autora nos leva a diversos cenários capazes de causar horror, espanto e, talvez, até uma certa identificação. Os contos narrados por crianças mostram diferentes contextos, mas em todos eles percebemos a ingenuidade sendo perdida, muitas vezes, de maneira abrupta. A narrativa de Verena prende o leitor, e o deixa sedento a ponto de provocar a leitura integral de uma só vez. Em uma realidade que promove livros e filmes de qualidade duvidosa, Larva se destaca por sua eficiência e já passa credibilidade o suficiente para provocar curiosidade sobre os trabalhos futuros da autora.

Você pode ver a entrevista que a autora nos cedeu aqui.

 

 

 

Oeste – A Guerra do Jogo do Bicho (Alexandre Fraga, Record, 308 págs.)

Acompanhando a coluna do escritor Raphael Montes, n’O Globo, me deparei com uma verdadeira seleção de autores nacionais que têm criado histórias espetaculares. Entre os citados, havia Alexandre Fraga e o comentário de que em Oeste – A Guerra do Jogo do Bicho o escritor e agente da Polícia Federal atingiu sua excelência. Fiquei curiosa.

O livro conta uma história envolvendo a máfia do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Com a morte de um chefão do jogo, o que parecia muito organizado se transforma em uma competição envolvendo muita ambição, sexo e ego. Ao longo de décadas, os podres, o sangue derramado e dinheiro, muito dinheiro, passam de mão em mão em uma rede de intrigas surpreendente. Sem dúvida, uma história muito empolgante e surpreendente.

Se você quiser conferir quem são os outros autores citados por Raphael Montes em sua coluna (Verena Cavalcante também aparece), clique aqui.

 

A Guerra dos Mundos (H. G. Wells, Suma de Letras, 312 págs.)

Publicado pela 1ª vez em 1897, em capítulos em uma revista inglesa, A Guerra dos Mundos é um verdadeiro marco da ficção-científica. A invasão da Terra por marcianos é uma ideia capaz de aterrorizar até mesmo aquele que se mostra o mais destemido.

Mostrando as falhas da civilização, incluindo sua ignorância e prepotência, Wells coloca os terráqueos diante de uma ameaça, até então, nunca imaginada, e expõe a fraqueza do ser humano sem poupá-los de uma realidade agressiva e impiedosa.

A edição lançada pela editora Suma de Letras é feita com muito capricho, e tem capa dura e ilustrações de 1906, feitas por Henrique Alvim Corrêa, um brasileiro que morava na Bélgica. Além disso, há uma entrevista com H. G. Wells e o cineasta Orson Welles, que em 1938 deixou a costa leste dos Estados Unidos em pânico ao contar parte da história em formato jornalístico. Um verdadeiro fanfarrão!

 

As Gêmeas do Gelo (S.K. Tremayne, Bertrand Brasil, 362 págs.)

Um ano após a morte de uma de suas filhas gêmeas, o casal formado por Sarah e Angus Moorcroft tenta se reestruturar financeira e emocionalmente. Isso envolve a mudança para uma ilha no Escócia, onde ficarão isolados do resto do mundo. Mas antes da mudança, a gêmea sobrevivente afirma que não é quem eles pensam, é a filha que eles acreditavam ter morrido.

Sarah e Angus se revezam para contar os detalhes da história que deixa a esposa aterrorizada e com sentimento de que é uma péssima mãe, enquanto Angus se esforça para manter a sanidade dos dois.

A ambientação colabora muito para dar um tom ainda mais sinistro ao clima do cenário. Juntando as peças aos poucos, o leitor pode se surpreender com o rumo que a história toma, até o desfecho competente.